Conhecendo o HPV

22/10/2013 11:51

 

artigo_imagemNo final dos anos sessenta e durante a década de setenta, os pesquisadores comprovaram a importância do papilomavírus humano (HPV) na indução das lesões pré-malignas e do carcinoma de células escamosas do colo uterino. Atualmente, essa neoplasia é a terceira causa de morte feminina em nosso país, sendo suplantada apenas pelo carcinoma mamário e de pele.

A infecção pelo HPV representa uma das doenças sexualmente transmissíveis (DST) mais comuns.

Homens e mulheres podem ser portadores assintomáticos e veículo da infecção.

O HPV é um vírus DNA da família Papovaviridae que possui um capsídeo de forma icosaédrica não envelopada com 72 capsômeros.

Seu genoma é circular, composto de dupla fita de DNA, que contém duas janelas de leitura (ORF – open reading frame) onde posicionam genes de leitura precoce (early) E1, E2, E4, E5, E6 e E7 e de leitura tardia (late) L1 e L2. Possui também uma região não codificada (LCR – large control region) que controla os demais genes.

Cada gene atua por meio de uma proteína, de mesmo nome, que apresenta função específica:
  • E1 – replicação epissomal do vírus;
  • E2 – regula negativamente as funções de E6 e E7;
  • E4 – produz proteína secundária do capsídeo viral;
  • E5 – proliferação celular infectada pelo vírus;
  • E6 -  destruição da p53 da célula hospedeira, protegendo a célula contra apoptose;
  • E7 -  inativa a pRB da célula hospedeira, impedindo o bloqueio do ciclo celular;
  • L1 – síntese da principal proteína do capsídeo viral;
  • artigo_imagem_01L2 – expressa a proteína secundária do capsídeo viral.
Verificamos então que as proteínas precoces estão envolvidas no controle da transcrição e da replicação enquanto as proteínas tardias compõem o capsídeo viral.

Existem mais de cem tipos de HPV, onde aproximadamente trinta infectam preferencialmente a região anogenital, destacando-se os de baixo risco oncogênico – 6, 11, 40, 42, 43, 54, 61, 70, 72 e 81, e os de alto risco oncogênico – 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59, 68, 73 e 82.

Os tipos mais encontrados nos carcinomas espinocelulares são: 16 (55,2%); 31, 33, 52 e 58 (15%); 18 (12,3%) e 45 (3,4%). Já nos adenocarcinomas: 18 (37,7%); 16 (31,3%); 45 (5,8%) e 31, 33, 52 e 58 (4,4%).

A infecção pelo HPV é um processo viral simples auto-limitante, que atinge 80% dos indivíduos sexualmente ativos, em algum período da vida, no entanto, apenas uma minoria irá desenvolver lesão pré-maligna, e dessas, apenas uma porcentagem irá desenvolver câncer cervical.

Ou seja, a presença do vírus no organismo por si só não representa risco ao hospedeiro.

Para que o vírus traga algum prejuízo ao hospedeiro três eventos necessitam acontecer ao mesmo tempo – Presença do vírus, haver porta de entrada e o hospedeiro deverá estar com o sistema imunológico comprometido.


TEXTO EXTRAÍDO E ADAPTADO DE: “PATOLOGIA DO TRATO GENITAL INFERIOR" – NELSON VALENTE MARTINS E JULISA C. L. RIBALTA – ROCA – 1 EDIÇÃO - 2005